“Mas contar o que, se não há o que contar? Então
está
certo: se não há o que contar, não se conta. Ou então
se conta o que não há para contar.”
(Sérgio Sant’Anna, "Conto (não conto)" 521)
No conto "Conto (não conto)" de Sérgio Sant’Anna, lemos ambos um
conto e um “não conto.” Se está confuso, não se preocupe, o narrador está também.
Ou está? Nesse conto, descobrimos que tudo na vida é algo para alguém ou nada
para ninguém. E pode ser nada para alguém ou algo para ninguém. Se há
significância para nós, é algo. Se não tem nada a ver com a nossa vida, é nada
para nós, mas talvez seja algo para alguém. O conto diz: “o que é a dor de um
homem quando não há ninguém por perto?” A dor do homem é tudo para aquele homem
naquele momento, mas para outro, essa dor não existe, não é nada.
A vida toda é um grande ciclo de acontecimentos que para alguém, em
cada momento, tem sentido. Todos experimentam os momentos significantes. E
enquanto existem momentos tristes, em que queremos desistir da vida, essa vida
teimosa continua. O mundo continua girando. No seu livro, The Labyrinth of Solitude, Octavio Paz tenta explicar esse fenómeno
da vida. Ele nos chama de “prisioneiros do relógio e do calendário.” Diz que só
estamos esperando que o tempo se expire.
Muitas tribos de índios acreditam nesse ciclo da vida. Creem que
estamos usando tempo e energia emprestados. Usamos essa energia para
sobreviver, e por fim, devolvemos-a de volta à terra. Esse ciclo é o ciclo da
vida da terra. O povo do filme Avatar
acredita nesse ciclo. Vemos que tudo na terra usa esta energia emprestada para
viver.
Como esta energia é tudo para nós, na verdade, é nada também. Quando
sabemos olhar o mundo com um perspectivo desse, começamos a entender o mundo
nos olhos dos outros. A vida é importante. Mas é “um pouco mais que nada” (Sant'Anna, 521) também.

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