Thursday, September 20, 2012

Tudo é Nada


“Mas contar o que, se não há o que contar? Então está certo: se não há o que contar, não se conta. Ou então se conta o que não há para contar.”
(Sérgio Sant’Anna, "Conto (não conto)" 521)


No conto "Conto (não conto)" de Sérgio Sant’Anna, lemos ambos um conto e um “não conto.” Se está confuso, não se preocupe, o narrador está também. Ou está? Nesse conto, descobrimos que tudo na vida é algo para alguém ou nada para ninguém. E pode ser nada para alguém ou algo para ninguém. Se há significância para nós, é algo. Se não tem nada a ver com a nossa vida, é nada para nós, mas talvez seja algo para alguém. O conto diz: “o que é a dor de um homem quando não há ninguém por perto?” A dor do homem é tudo para aquele homem naquele momento, mas para outro, essa dor não existe, não é nada.

A vida toda é um grande ciclo de acontecimentos que para alguém, em cada momento, tem sentido. Todos experimentam os momentos significantes. E enquanto existem momentos tristes, em que queremos desistir da vida, essa vida teimosa continua. O mundo continua girando. No seu livro, The Labyrinth of Solitude, Octavio Paz tenta explicar esse fenómeno da vida. Ele nos chama de “prisioneiros do relógio e do calendário.” Diz que só estamos esperando que o tempo se expire.

Muitas tribos de índios acreditam nesse ciclo da vida. Creem que estamos usando tempo e energia emprestados. Usamos essa energia para sobreviver, e por fim, devolvemos-a de volta à terra. Esse ciclo é o ciclo da vida da terra. O povo do filme Avatar acredita nesse ciclo. Vemos que tudo na terra usa esta energia emprestada para viver.


Como esta energia é tudo para nós, na verdade, é nada também. Quando sabemos olhar o mundo com um perspectivo desse, começamos a entender o mundo nos olhos dos outros. A vida é importante. Mas é “um pouco mais que nada” (Sant'Anna, 521) também.

No comments:

Post a Comment