“Antes que Armando voltasse do trabalho a casa deveria estar
arrumada e ela própria já no vestido marrom para que pudesse atender o marido enquanto
ele se vestia, e então sairiam com calma, de braço dado.”
(Clarice Lispector, “A Imitação da Rosa,” 47)
Como discutimos na aula, a personagem Laura, no conto da
Clarice Lispector, claramente tem uma doença mental. No início
do conto, a Laura compartilha que já está “bem” novamente. Essa doença mental
tinha deixado de pertubá-la, e que já podia retomar o papel dela como esposa.
Entretanto, na mente da Laura, esse papel é visto com muita rigidez. Para ela,
o papal deve ser assumido e cumprido com perfeição; e essa é a sua doença.
No mundo de hoje, existem papéis estereotipados para homem e mulher.
Esses papéis, porém, não necessariamente têm de ser cumpridos exatamente como o
mundo os vê. Toda família é diferente. Mas para Laura, tem que ser perfeito.
Ela está tão animada de finalmente poder interagir com o marido como as esposas
“normais” fazem. No conto, diz que ela quer ver seu marido na paz de homem, que
era, “esquecido de sua mulher, conversar com outro homem sobre o que saía nos
jornais.” Enquanto isso, ela faria o que as esposas fazem, vendo os maridos
“esquecido[s] da[s] própria[s] mulher[es]” (47).
Essa fantasia de como as mulheres são me lembra de uma leitura que li
recentemente. No seu livro, The Labyrinth
of Solitude, Octavio Paz avalia a mulher e como ela age. Paz comparou a
mulher a um “alien,” “image of death” e “goddess of destruction” (Paz, 66). Paz
também tenta imaginar o que a mulher pensa e se pensa de qualquer forma! Eu
achei a comparação redícula. Como no conto da Laura, eu também vejo os
estereótipos dos gêneros, mas não acha que a mulher é tão diferente do homem. E
a diferença que percebo é que são muito mais complexas e bondosas do que o
homem. As leituras das mulheres recentemente me fizeram pensar muito à
respeito.

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