“Um dia uma
folha me bateu nos cílios. Achei Deus de uma grande delicadeza.”
(Clarice
Lispsector, O milagre das folhas,
186)
Nesta crônica, lemos as palavras bonitas pelas quais a Lispector é conhecida. Cada palavra parece derreter uma para a outra como se fossem
uma só. Mas dentro destas palavras, também há uma linda mensagem ao mundo. Lispector observe os milagres que
acontecem aos outros, e não consegue acreditar que acontecem
com ela também. Quando alguma coisa aparecida
acontece, diz, “Milagre, não. Mas as coincidências. Vivo de coincidências” (Lispector, 186).
Finalmente
cai uma folha nos cabelos e então nos cílios. Neste
momento, por algum motivo, acha Deus. Apesar de ser uma coisa tão simples, ela enfim pôde perceber os milagres na sua vida.
E percebeu-o numa grande delicadeza.
Isso me faz
lembrar de como pessoas ganham seus testemunhos de que a igreja é verdadeira. Quando estive em Manaus, pregando o evangelho, nem consigo
imaginar quantas vezes eu expliquei esse mesmo fenômeno. Muitas vezes, são coisas simples que nos trazem à luz—ou nos faz
percebê-la. A linguagem da Lispector descreve lindamente essa sensação.

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