Thursday, November 29, 2012

A Grande Viagem



Queria fazer uma análise da foto acima. Para mim, existe uma grande quantidade de símbolos no filme “O Pagador de Promessas.” Os primeiros 10 minutos do filme, antes de ser falado nada, o diretor interpreta a caminhada do Zé-do-Burro e sua esposa. Como mostrado na foto acima, os dois enfrentam uma longa caminhada de duas maneiras diferentes. E além disso, o filme analisa a atitude e o tom da caminhada pelas coisas que mostra nos primeiros momentos do filme.

A primeira interpretação do tom da viagem é a música que toca atrás. Durante vários minutos no início do filme, Zé-do-Burro e sua esposa caminham pelo deserto, na lama, sobe montanhas e tudo isso enquanto carrega a cruz em cima dos ombros. A música que toca nestes momentos utiliza um tom alto e escuro. Também toca música do candomblé onde o Zé foi visto no início do filme. A música do candomblé incorpora uma sensação de dois lados lutando pela atenção do Zé. Ele quer entregar a cruz à igreja católica mas fez a promessa num terreiro de candomblé.

Mais uma coisa que o filme monstra, que também prova a atitude da Rosa, é a distância da qual a Rosa anda do Zé. Nesta parte do filme, os dois são mostrados andando para a igreja. Como é uma longa viagem, demora um bom tempo para chegar. Neste tempo todo, a Rosa caminha atrás do Zé sem falar com ele. Assim, percebemos que ela não quer estar lá com ele. Parece que está indo para ser uma boa mulher, mas não queria fazer a viagem toda. O diretor faz muito para passar este tom já no início do filme. 

Thursday, November 15, 2012

O Marinheiro



“Não valeria então a pena fecharmo-nos no sonho e esquecer a vida, para que a morte nos esquecesse?”
O Marinheiro, Fernando Pessoa, 122

Nesta peça, vemos a aparente fragilidade da vida. Na verdade, vemos uma verdadeira dúvida que muitos têm ao respeito da vida e como relaciona-se com os sonhos. Será que a nossa vida é apenas o sonho de alguém? Será que se nos esquecêssemos a vida, a morte nos esqueceria? Como a donzela na peça, muitas pessoas de cada lugar realmente duvidam que esta vida seja real e que temos controle completo de que fazemos.

Sendo membro da igreja, eu sei que a vida tem um grande propósito no plano de Deus, mas as pessoas que não têm o evangelho ficam nessa dúvida do sonho. Para eles, podemos ser o sonho de outro, ou até de Deus. Ele nos criou, e poderíamos ser os sonhos Dele. Sem uma compreensão maior, esta explicação parace até provável.

Lembra-me muito do filme Inception. Existe uma parte em que os personagens do filme veem uma sala cheia de gente dormindo. Quando um deles pede uma explicação, dizem para ele que as pessoas iam para este lugar para sonhar. Todo dia, iam para dormir e viver dentro desta vida falsa ao sonhar. Existe um momento em que não percebem mais a diferença entre a vida e o sonho. É estranho imaginar que isso existe, mas existe. 

Thursday, November 8, 2012

Cercado de Amigos



SECRETA:
Estou avisando como amigo.
ZÉ:
Amigo. Já vi que estou cercado de amigos. É amigo por todo lado. Cada qual querendo ajudar mais do que o outro.
O Pagador de Promessas, Dias Gomes, 119

Na peça de O Pagador de Promessas, Dias Gomes cria personagens perfeitos para descrever a injustiça que pode acontecer na vida das pessoas. Existem vários temas na peça, um deles sendo a exploração do homem pelo homem. Vemos que muitas pessoas na vida só querem seu próprio bem até se prejudica alguém.

No início da peça, Zé-do-Burro sai do simples sítio dele para pagar uma promessa que fez a Santa Bárbara. Quando chega na igreja da Santa Bárbara, é informado pelo padre que não vai poder entrar na igreja para pagar a promessa do jeito que quer. Ao explicar a situação para o padre, a esposa e a cidadezinha toda, parece que ninguém o entende. Zé percebe que todos estão entendendo a história de uma forma que lhes ajudam. Depois de muita exploração, o Zé começa a ficar irritado.

O problema disso é que agora ele está parecendo com o louco que as pessoas da cidade criaram. Zé não suporta mais a maneira de que está sendo tratado. Começa a gritar, começa a jogar coisas na igreja e até fala que vai jogar bomba. A situação fica mais feia a cada minuto. Vemos entretanto, que esta situação não é tão ficcional quanto a peça. Existem muitas pessoas no mundo como cada um dos personagens. A coisa é como agimos nesses momentos difíceis. Vamos, por fim, ver como o Zé decide abordar a sua situação desgradável. 

Wednesday, November 7, 2012

Ungulani Bacacosa


Hoje, fui na palestra do Ungulani Bacacosa. Apesar de não ter lido os livros dele, senti a emoção que tem pela literatura. Ele mostrou uma certa animação pela vida e especialmente a vida africana. Transmitiu o amor que tem pelo seu país e expicou muito bem como fazia parte da sua vida. Durante o discurso dele, explicou as várias línguas diferentes que existiam e ainda existem em Moçambique. Falou das coisas que o sistema de educação está fazendo para ensinar um português mais padrão. Eu gostei muito do Bacacosa. Ele parecia tão humilde e muito simpático. Aprendi não só das palavras dele, mas também pelo seu exemplo. 

Wednesday, October 31, 2012

As Promessas da Vida



“Como Zé-do-Burro, cada um de nós tem suas promesas a pagar. A Deus ou ao Demônio, a uma Ideia. Em uma palavra, à nossa própria necessidade de entrega, de afirmação.”

Como em aula, pensei na frase acima do autor Dias Gomes. Apesar de não ter terminado a peça ainda, consigo perceber que a mensagem dela será das promessas que todos nós temos de cumprir. Ao ler ou assistir às aventuras do Zé-do-Burro, o leitor aprende como é que ele aborda cumprir a sua promessa. Enquanto nós, talvez, não tenhamos feito promessa a uma Santa, temos outras coisas na vida para cumprir ou provar. 

Algumas pessoas têm promessas ou metas bem religiosas, outras pessoas não religiosas. Umas fazem metas de estudar mais enquanto outras fazem metas de achar novos amigos. Embora existam promessas triviais como as mencionadas acima, também há gente que fazem propósito de provar alguma coisa ao mundo, à familia ou a Deus. Querem afirmar a sua validade ou às vezes provar que seu propósito na vida seja bom.

Falando neste assunto, eu fiquei imaginando qual seria a minha promessa. É claro que não fiz nenhuma promessa para Santa Bárbara, mas como todo mundo, tenho algumas coisas para provar. Acho que a minha promessa seria também religiosa. Como tenho sido muito abençoado com uma familia perfeita e uma bela esposa, sinto algum dever a Deus de pagar Ele de volta. E vou fazer isto.

Wednesday, October 24, 2012

Tudo Acaba


“Recife. . .
Rua da União. . .
A casa de meu avô. . .
Nunca pensei que ela acabasse!
Tudo lá parecía impregnado de eternidade.”
(Manuel Bandeira, “Evocação do Recife,” 237)

O final deste poema me lembrou muito da minha infância—especialmente a parte do avô. Quando eu era criança, sempre ia visitar meus avós no dia de sábado de manha. Gostávamos dos lanches que sempre havia nequela casa. Eram coisas que minha mãe geralmente não comprava para nós. Mas quando estávamos na casa dos avós, tudo era possível. 

É óbvio que o narrador deste poema tem boas lembranças da casa do avô também. A criança vive num mundo diferente. E quando, de repente, está grande, é difícil aceitar as mudanças do tempo. Por isso, ficamos tristes quando esse mundo que conhecíamos muda. 

Ele cita algumas lembranças específicas que são parecidas com as minhas—outras não.  Mas temos que lembrar-nos que o mundo vai mudando. Às vezes, não é como queríamos, mas a vida continua. E com todas as mudanças, aprendemos alguma coisa para levar conosco. A vida é feito do que fazemos com essas coisas. 

Wednesday, October 17, 2012

A Europa curvou-se ante o Brasil


7 a 2
3 a 1
A injustiça de Cette
4 a 0
2 a 1
2 a 0
3 a 1
E meia dúzia na cabeça dos portugueses
Oswald de Andrade, 238

Eu sei que este poema foi escrito sobre uma certa época de futebol no Brasil, mas envolve tão perfeitamente a atitude que ainda reina no país—especialmente sobre futebol. Apesar de ter perdido um jogo, na mente dos brasileiros, não contava, portanto, nunca aconteceu. Por quê? Porque não ganharam. E se Brasil não ganha, não quer saber da coisa.

Eu não falo isso para zombar, nem para degradar o Brasil, pois amo muito este país. Mas neste poema, o caráter do brasileiro é bem aparente. Depois de viver com os brasileiros por um tempo, até eu poderia ter escrito este poema com o mesmo sentido que foi usado. Não só em futebol, entretanto, são assim. O brasileiro gosta de sair melhor em quase tudo. Não quer ser dependente do Portugal, não quer ser pior do que os Estados Unidos e não quer ajuda de ninguém. E tanto é que até na poesia nacional, aparece essa atitude de superioridade. E quando não são os melhores, por qualquer razão, sempre têm uma desculpa para se explicar.

Apesar de terem uma personalidades competitivas, os brasileiros também têm corações de ouro. Eu aprecio este poema por causa disso. O brasileiro gosta de competir, mas sabe bem tratar o outro com  bondade também. E eu acho que o poema acima talvez seja mais uma piadinha que um ato de guerra. Que os brasileiros continuem jogando muito e que o mundo os veja como realmente são!