7 a 2
3 a 1
4 a 0
2 a 1
2 a 0
3 a 1
E meia dúzia na cabeça dos portugueses
Oswald de Andrade, 238
Eu sei que
este poema foi escrito sobre uma certa época de futebol
no Brasil, mas envolve tão perfeitamente a atitude que ainda
reina no país—especialmente sobre futebol.
Apesar de ter perdido um jogo, na mente dos brasileiros, não contava, portanto, nunca aconteceu. Por quê? Porque não ganharam. E se Brasil não ganha, não quer saber da coisa.
Eu não falo isso para zombar, nem para degradar o Brasil, pois amo muito este
país. Mas neste poema, o caráter do brasileiro é bem aparente. Depois de viver com os brasileiros por um tempo, até eu poderia ter escrito este poema com o mesmo sentido que foi usado. Não só em futebol, entretanto, são assim. O brasileiro gosta de sair melhor em quase tudo. Não quer ser dependente do Portugal, não quer ser pior
do que os Estados Unidos e não quer ajuda de ninguém. E tanto é que até na poesia
nacional, aparece essa atitude de superioridade. E quando não são os melhores, por qualquer razão, sempre têm uma desculpa para se explicar.
Apesar de
terem uma personalidades competitivas, os brasileiros também têm corações de ouro. Eu
aprecio este poema por causa disso. O brasileiro gosta de competir, mas sabe
bem tratar o outro com bondade também. E eu acho que o poema acima talvez seja mais uma piadinha que um ato
de guerra. Que os brasileiros continuem jogando muito e que o mundo os veja
como realmente são!

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